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  • Julio Cesar França Franco

A PONTE E A PINGUELA

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Existe gente que, ao invés de tentar melhorar aquilo que faz, procura sempre destruir o que os outros estão tentando fazer. A história seguinte é baseada num conto de Silvio Paulo Albino:

Certo homem, depois de muitos anos de trabalho e meditação sobre a melhor maneira de atravessar o rio diante de sua casa, construiu uma pinguela sobre ele. Acontece que os habitantes da aldeia raramente ousavam atravessá-la, por causa de sua precariedade. Um belo dia apareceu por ali um engenheiro. Junto com os habitantes, construíram uma ponte, o que deixou enfurecido o construtor da pinguela. A partir daí, ele começou a dizer, para quem quisesse ouvir, que o engenheiro tinha desrespeitado o seu trabalho. - Mas a pinguela ainda está lá! – respondiam os habitantes. – É um monumento aos seus anos de esforço e meditação. - Ninguém a usa – o homem, nervoso, insistia. - O senhor é um cidadão respeitado, e nós gostamos do senhor. Acontece que, se as pessoas acham a ponte mais bela e mais útil que a pinguela, o que podemos fazer? - Ela está cruzando o meu rio! - Mas senhor, apesar de todo o respeito que temos pelo seu trabalho, queríamos dizer que o rio não é seu. Ele pode ser atravessado a pé, por barco, a nado, de qualquer maneira que desejarmos; se as pessoas preferem cruzar a ponte, por que não respeitar o desejo delas? “Finalmente, como podemos confiar em alguém que, ao invés de tentar melhorar a sua pinguela, passa o tempo todo criticando a ponte?”

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