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  • Julio Cesar França Franco

VELHOS E MOÇOS

"Não era raro observar-se, na pequena comunidade dos discípulos, o

entrechoque das opiniões, dentro do idealismo quente dos mais jovens.

Muita vez, o séquito humilde dividia-se em discussões, relativamente aos

projetos do futuro.

Enquanto Pedro e André se punham a ouvir os companheiros, com a

ingenuidade de seus corações simples e sinceros, João comentava os

planos de luta no porvir; Tiago, seu irmão, falava do bom aproveitamento

de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas

maravilhosas.

— Somos jovens! — diziam. — Iremos à Terra inteira, pregaremos o

Evangelho às nações, renovaremos o mundo!...

Tão logo o Mestre permitisse, sairiam da Galiléia, pregariam as

verdades do reino de Deus naquela Jerusalém atulhada de preconceitos e

de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem

dispostos. Respiravam a longos haustos e supunham-se os únicos

discípulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos.

Por longas horas, questionavam acerca de suas possibilidades

apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E

pensavam consigo: que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e

encarcerado nos seus pequeninos deveres? Mateus não estava igualmente

enlaçado por inadiáveis obrigações de cada dia? André e o irmão os

escutavam despreocupados, para meditarem apenas quanto às lições do

Messias. Entretanto, Simão, mais tarde chamado o “Zelote”, antigo

pescador do lago, acompanhava semelhantes conversações, humilhado.

Algo mais velho que os companheiros, suas energias, a seu ver, já não se

coadunavam com os serviços do Evangelho do Reino. Ouvindo as

palavras fortes da juventude dos filhos de Zebedeu, perguntava a si

mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto de Jesus. Começava a

sentir mais fortemente o declínio das forças vitais. Suas energias pareciam

descer de uma grande montanha, embora o espírito se lhe conservasse

firme e vigilante, no ritmo da vida.

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Deixando-se, porém, impressionar vivamente, procurou entender-se

com o Mestre, buscando eximir-se das dúvidas que lhe roíam o coração.

*

Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o

fitava sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas

emoções.

— Simão — disse o Mestre com desvelado carinho —, poderíamos

acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, na

ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos

nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A

infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas

flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da

sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e

flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre

uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma

promessa; o fruto é realização. Só ele contém o doce mistério da vida,

cuja fonte se perde no infinito da divindade!...

Ao passo que o discípulo lhe meditava os conceitos, com sincera

admiração, Jesus prosseguia, esclarecendo:

— Esta imagem pode ser também a da vida do espírito, na sua radiosa

eternidade, apenas com a diferença de que aí as ramagens e as flores não

morrem nunca, marchando sempre para o fruto da edificação. Em face da

grandeza espiritual da vida, a existência humana é uma hora de

aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra

o que existe no todo. É por isso que aí vemos, por vezes, jovens que falam

com uma experiência milenária e velhos sem reflexão e sem esperança.

— Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? —

perguntou o discípulo, emocionado.

— Não a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a

da experiência que edifica o amor e a sabedoria. Ainda aqui, devemos

recordar o símbolo da árvore, para reconhecer que o fruto perfeito é a

frescura da ramagem e a beleza da flor, encerrando o conteúdo divino do

mel e da semente.

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Percebendo que o Mestre estendera seus conceitos em amplas imagens

simbológicas, o apóstolo voltou a retrair-se em seu caso particular e

obtemperou:

— A verdade, Senhor, é que me sinto depauperado e envelhecido,

temendo não resistir aos esforços a que se obriga a minhalma, na

semeadura da vossa doutrina santa.

— Mas, escuta, Simão — redarguiu-lhe Jesus, com serenidade enérgica

—, achas que os moços de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os

trabalhos dos que agora estão envelhecendo?!... Poderia a árvore viver

sem a raiz, a alma sem Deus?! Lembra-te da tua parte de esforço e não te

preocupes com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, não

olvides que a nossa tarefa, para dignidade perfeita de nossas almas, deve

ser intransferível. João também será velho e os cabelos brancos de sua

fronte contarão profundas experiências. Não te magoe a palestra dos

jovens da Terra. A flor, no mundo, pode ser o princípio do fruto, mas

pode também enfeitar o cortejo das ilusões. Quando te cerque o

burburinho da mocidade, ama os jovens que revelem trabalho e reflexão;

entretanto, não deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e

inconstantes: são crianças que pedem cuidado, abelhas que ainda não

sabem fazer o mel. Perdoa-lhes os entusiasmos sem rumo, como se devem

esquecer os impulsos de um menino na inconsciência dos seus primeiros

dias de vida. Esclarece-os, Simão, e não penses que outro homem pudesse

efetuar, no conjunto da obra divina, o esforço que te compete. Vai e tem

bom ânimo!... Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da

noite; mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene."

LIVRO BOA NOVA- CHICO XAVIER

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