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  • Julio Cesar França Franco

Quando Governos Democráticos Mentem






Por: Alexandre Meinberg Ceroy*




Antes que o leitor, baseado somente no título do presente artigo, tire precipitadas conclusões, este articulista já responde: não, não trataremos no presente artigo de nada que envolva questões político/partidárias/eleitoreiras no contexto nacional.

Pelo cargo exercido pelo articulista, impedido está de imiscuir-se nesta seara.


A Lei nacional não impede, no entanto, intromissões do articulista em assuntos internacionais, mormente daqueles muito em destaque no atual contexto momentâneo: a invasão da Ucrânia.

Porém, antes mesmo de iniciarmos as discussões que intencionamos, mister explicar as razões que levaram o subscritor deste a tal assunto.


É cediço que a grande mídia, há tempos, não mais preocupa-se em divulgar a verdade. Seja por interesses comerciais ou mesmo ideológicos, a mídia atualmente preocupa-se mais com narrativas, escândalos, futilidades direcionadas e notícias tendenciosas do que, propriamente, com a séria divulgação de fatos.


A posição de Juca Chaves mostra-se totalmente atual quando, tempos atrás, disse que “a imprensa é muito séria, se pagar eles publicam até a verdade”.


Porém, como em todas as atividades humanas onde há uma grande gama de participantes, a imprensa ainda detém instituições e profissionais sérios que, a despeito de não seguirem o que podemos qualificar como politicamente correto (que, muitas vezes, de correto não tem nada), cumprem com o papel de informar e divulgar a verdade.


No atual contexto, o que se reverbera na grade mídia é o absurdo da invasão da Ucrânia pela Federação Russa. Demonstra-se, de forma muito incisiva, as inúmeras e tristes mortes de civis, a destruição de imóveis e infraestrutura, a crise de refugiados, dentre outras abomináveis situações causadas por qualquer guerra, que tem na população a sua maior vítima.


Divulga-se que a principal justificativa para a invasão seriam as intenções da Ucrânia de passar a fazer parte da OTAN, a aliança militar de vários países ocidentais, e defende-se a autonomia de qualquer país para tal.


Nesse conturbado ambiente de informações, temos no entanto que buscar alguma concretude, salientando que, muitas vezes, não há lado certo em uma guerra.


Que fique bem claro: não defendemos as atitudes da Federação Russa e muito menos os argumentos de seu Presidente, até pelo contexto histórico da Rússia.


Para quem desconhece, a Rússia é uma nação que, após a revolução de 1917, não somente passou a ter a desinformação como política de Estado, quanto também fez com que referido tipo de política atingisse níveis absurdos.


Durante a guerra fria, houveram períodos em que a União Soviética tivera mais agentes ativos de desinformação do que militares em suas forças armadas.


Portanto, tudo o que vem da Rússia deve ser visto com grande desconfiança, principalmente se considerarmos que as premissas totalitárias do comunismo que alega-se não mais existente em referida nação ainda encontram-se plenamente em vigor.


Assim concluímos pois a forma como a Federação é gerida está longe de autorizar que seja ela qualificada como uma democracia plena, seja pela perseguição à desafetos políticos, membros da própria imprensa bem como de grupos “indesejados” pelo núcleo do Estado, e ainda pela inexistência de razoável liberdade partidária de oposição ao estamento atual.


Soma-se a tudo isso a mantença indistinta, mesmo após o findar da União Soviética e, por conseguinte, da Guerra Fria, da consideração do ocidente como um inimigo.


Quanto ao seu Presidente, deixaremos que sua qualificação opinativa fique sob a responsabilidade do leitor, para que não pessoalizemos a discussão.


Por tais nuances, o mote da presente discussão não serão as alegações do Estado Russo. O título do artigo remete-nos a um outro Estado: os Estados Unidos da América.


Ainda que o incauto enxergue, muitas vezes contaminado por inclinações ideológicas, os Estados Unidos como sendo sinônimo de imperialismo (apesar de nunca ter, efetivamente, agido como uma potência colonialista, assim como eram o Império Britânico, a França e, em menor grau, a Holanda e a Bélgica) e guerras, não podemos olvidar que tal nação é, em nosso mundo contemporâneo, a que mais concretamente espelha o conceito de liberdade (que muitos confundem com libertinagem). É claro que, assim como todas as outras nações do mundo, detém eles sérios problemas sociais, o que não impede de reconhecermos os ganhos advindos com a liberdade, seja de pensamento e opinião, ou mesmo a liberdade econômica e empresarial.


Dentre as revoluções da segunda metade do milênio passado, fora somente a revolução americana, com a posterior independência das treze colônias, a emissão da declaração de independência e a promulgação de uma Constituição, que realmente espelhara no mundo ocidental uma revolução realmente libertadora e que primara, com considerável preocupação, pela efetivação de instrumentos garantidores dessa liberdade.


Qualquer pessoa minimamente esclarecida tem conhecimento dos frutos gerados por essa liberdade, alguns amargos mas, em sua grande maioria, doces e saborosos.


A liberdade, enquanto conceito, não é uma carta branca para o indivíduo fazer o que bem entender. Com liberdades, advém responsabilidades. É justamente o correto balanço entre liberdades enquanto direitos, e responsabilidades enquanto obrigações, que induz ao desenvolvimento de qualquer sociedade.


O por tratar de responsabilidades, temos que uma responsabilidade de grande monta é a do chefe de uma nação democrática, escolhido pelo voto popular.


Referido mandatário recebe do povo, o verdadeiro detentor do poder em qualquer país livre, uma especial autorização para agir em seu nome.


Justamente pela natureza de tal representação, cabe ao mandatário agir com a maior transparência possível, deixando bem claro ao povo as razões de seus atos.


Surge então uma importante indagação, que ilustra o título do presente artigo: o que ocorre, então, quando governos democráticos mentem ?


A mentira é tão antiga quanto o ser humano, e detém, além de várias formas de se externar, diferentes graus e consequências.


Mas, o que dizer de uma mentira deliberada, com interesses escusos, e que pode causar sérias consequências para toda a humanidade, para não dizer a sua possível extinção ? E se tal mentira tiver como percussor àquele quem mais deveria espelhar os ideais de transparência ?


Para responder a essas perguntas, temos que retornar ao motivo que ensejou a sua discussão.


Como é de conhecimento público, a Federação Russa invadiu o território da Ucrânia na data de 24 de Fevereiro de 2022, iniciando um conflito armado de severas proporções.


Midiaticamente, a razão de tal invasão seria a intenção Russa de evitar a entrada da Ucrânia na OTAN, e ainda a discussão acerca de territórios separatistas, além da questão da Crimeia.


No início do conflito, no entanto, algumas notícias nos levavam a induzir que a invasão poderia ter tido o seu estopim com a constatação de que os Estados Unidos estariam mantendo laboratórios de armas biológicas em território ucraniano.


O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, chegou a dizer em 13 de Março que “Durante a condução da operação militar especial, foram encontradas evidências de que o regime de Kiev se apressou para eliminar vestígios do programa biológico militar financiado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na Ucrânia”.


A grande mídia, extremamente preocupada com notícias falsas (contém sarcasmo, para que fique bem claro) logo tratou de refutar referidas “teorias da conspiração”. As fontes que refutaram tais informações, conforme divulgado pela rede de notícias “USA TODAY”, seriam membros não identificados do Governo Ucraniano, bem como funcionários do Departamento de Estado Americano, os quais, podemos concluir, não têm muita credibilidade quando o assunto é negar algo que os possa implicar.


Apesar do recorrente afastamento dessa “teoria conspiratória”, ainda assim diversos outros atores entraram em cena. Até a União Europeia negou a existência de tais laboratórios, tratando tal teoria como pura desinformação Russa aumentada pela China.


Porém, algumas questões chamaram a atenção desse articulista.


A primeira delas, a qual buscamos verificar diretamente, fora uma mensagem divulgada no ano de 2020 na página oficial da embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia, mencionando o auxílio americano, através do Programa de Redução de Ameaças Biológicas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no “programa de redução de ameaças biológicas na Ucrânia”. Menciona a notícia que:


O Programa de Redução de Ameaças Biológicas do Departamento de Defesa dos EUA colabora com países parceiros para combater a ameaça de surtos (deliberados, acidentais ou naturais) das doenças infecciosas mais perigosas do mundo. O programa cumpre sua missão de redução de bio-ameaças através do desenvolvimento de uma cultura de gestão de bio-risco; parcerias internacionais de pesquisa; e capacidade de parceiro para medidas aprimoradas de bio-segurança, bio-salvaguarda e biovigilância. As prioridades do Programa de Redução de Ameaças Biológicas na Ucrânia são consolidar e proteger patógenos e toxinas cuja segurança gere preocupação, e continuar a garantir que a Ucrânia possa detectar e relatar surtos causados por patógenos perigosos antes que representem ameaças à segurança ou à estabilidade.


Como podemos ver, o Programa de Redução de Ameaças Biológicas (Biological Threat Reduction Program – BTRP, no original) é um programa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e não um programa científico qualquer.


Segue a notícia aduzindo que, ainda em 2020, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos atualizou laboratórios e construiu outros na Ucrânia:


A BTRP atualizou muitos laboratórios para o Ministério da Saúde e o Serviço Estadual de Segurança Alimentar e Defesa do Consumidor da Ucrânia, atingindo o Nível 2 de Biossegurança. Em 2019, a BTRP construiu dois laboratórios para este último, um em Kiev e outro em Odesa.


A primeira pergunta que nos vem à mente: se é um programa científico que visa reduzir riscos de patógenos potencialmente causadores de danos à população, qual a razão de tal programa ser patrocinado (conduzido, na verdade) pelo Departamento de Defesa ?


Voltando um pouco no tempo, fora possível encontrar uma postagem do próprio Departamento de Defesa em seu sítio eletrônico institucional, em 2010, que mencionava que:


“o senador norte-americano Dick Lugar aplaudiu a abertura do Laboratório Central Interino de Referência em Odessa, Ucrânia, esta semana, anunciando que será fundamental na pesquisa de patógenos perigosos usados por bioterroristas. O laboratório de biossegurança nível 3 será usado para estudar antraz, tularemia, febre Q, bem como outros patógenos perigosos”.


Mas as questões não param por aí. O início da ofensiva russa ocorrera com intenso bombardeio de algumas áreas em todo o país, sendo possível notar que alguns dos ataques deram-se em locais sem qualquer interesse aparentemente estratégico, sem que também tenha atingido qualquer infraestrutura civil.


Naquele momento, o próprio ofensor alegou que visava estruturas militares, principalmente aeródromos.


Tempos antes, o Ministério das Relações Exteriores da China publicou que os Estados Unidos teriam 336 laboratórios sob seu controle, distribuídos em 30 países. Somente na Ucrânia haveriam 26 de tais laboratórios.


Coincidentemente, os bombardeios iniciais ocorreram justamente nos locais onde supostamente existiriam laboratórios patrocinados (ou conduzidos) pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos: A fotografia mostra os primeiros locais bombardeados pela Rússia quando do início da invasão da Ucrânia


É claro que tal coincidência entra as alegações Chinesas e os atos Russos podem, claramente, tratar-se de estratagema de desinformação, razão pela qual não poderíamos considerá-la como fidedigna.


Porém, no último dia 10 de Março, tornara-se pública uma recomendação da Organização Mundial da Saúde dirigida ao Governo Ucraniano, onde este era instado à destruir patógenos de alta ameaça alojados nos laboratórios de saúde pública do país. A recomendação visava evitar “qualquer derramamento potencial” de patógenos que poderiam espalhar doenças entre a população. Ao ser questionada sobre referida recomendação, a OMS não dera detalhes sobre quais tipos de patógenos estariam alojados nos laboratórios ucranianos.


O fato mais sério de toda essa celeuma, no entanto, dera-se em razão do testemunho prestado por uma alta funcionária do Governo Americano perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado no dia 08 de Março de 2022. O nome de tal funcionária é Victoria Jane Nuland, que atualmente exerce a função de subsecretária de Estado do governo Americano, responsável pela Ucrânia.

Para o público brasileiro, que não conhece bem os integrantes da estrutura do Governo dos Estados Unidos (este articulista nunca antes ouvira dela falar), temos que explicar quem é a pessoa carinhosamente conhecida por Toria Nuland.


Toria Nuland é uma diplomata norte americana, casada com o influente escritor e conselheiro eventual de política externa de governos americanos Robert Kagan.

Kagan foi, juntamente com Bill Kristol e Jeffrey Goldberg, o responsável por divulgar publicamente a mentira de que o regime iraquiano detinha relação com o ataque de 11 de Setembro, convencendo a opinião pública americana de que a invasão do Iraque era uma necessidade.


Kagan é membro do Conselho das Relações Exteriores.


Para quem não conhece ou não sabe o que faz o Conselho de Relações Exteriores, mais conhecido pela sua sigla no original em inglês, CFR (Council on Foreign Relations), temos uma má notícia: o Google não te ajudará ! Se pesquisarmos notícias sobre o CRE em português, a principal referir-se-á ao fato de que George Clooney passou a integrá-lo.


Quem quiser saber um pouco mais, sugerimos a leitura dos livros “Política, Ideologia e Conspirações”, escrito em 1971 por Gary Allen e Larry Abraham, ou então o mais recente “Os Donos do Mundo”, de Cristina Martin Jimenez.


Voltemos à esposa de Kagan: Nuland atua na alta administração do Governo americano há anos. Foi assessora de segurança nacional adjunta do ex-vice-presidente Dick Cheney, bem como embaixadora na OTAN durante o governo Bush.


Na atualidade, enquanto responsável pela política externa em relação à Ucrânia, resta claro que tem conhecimento específico do que ocorre lá.


Aliás, é de bom alvitre mencionar, Nuland atuou incisivamente nos atos que culminaram com a revolta ucraniana que ficou conhecida como “Euromaidan”. As manifestações em questão, que iniciaram-se em 2013, deixaram um saldo de mais de 100 mortos, e culminaram no ano seguinte com a deposição do então presidente Viktor Yanukovych, outrora apoiado pelo Kremlin. No mês seguinte à deposição de Yanukovych, a Rússia anexou a península da Crimeia.




Na foto, o ex-secretário de Estado da administração de Obama, John Kerry, acompanhado de Nuland, reuniam-se em Munique, em Fevereiro de 2014, com os líderes oposicionistas ucranianos Petro Poroshenko (posteriormente nomeado como Ministro das relações Exteriores), Arseniy Yatsenyuk (nomeado primeiro ministro após a deposição de Yanukovych) e Vitali Klitschko (atual prefeito de Kiev)



Na citada audiência no senado, ao ser diretamente questionada pelo Senador Marco Rubio se a Ucrânia tinha armas biológicas, a resposta fora tanto inesperada quanto surpreendente. Mister transcrevê-la:


“A Ucrânia tem instalações de pesquisa biológica que, de fato, agora estamos bastante preocupados que as tropas russas, as forças russas, possam estar tentando obter o controle. Portanto, estamos trabalhando com os ucranianos em como eles podem impedir que qualquer um desses materiais de pesquisa caia nas mãos das forças russas, caso se aproximem”


Ora, para um entendedor médio, a confirmação de que a Ucrânia tem “instalações de pesquisa biológica” cujo material teme-se poder cair em poder Russo é, definitivamente, contrário ao discurso de que não há laboratórios de armas biológicas na Ucrânia.


Para quem assistiu o vídeo, vemos claramente o desconforto da subsecretária ao responder tal questão, desconforto esse que não coaduna, minimamente, com o fato de alguém com seu currículo falar em público ou mesmo em uma audiência no Senado.


Infelizmente, e num comportamento que parecia quase que planejado, o senador inquiridor mudou de assunto, chegando ao ponto de perguntar se, eventualmente, ocorresse um acidente onde fossem espalhados patógenos externamente, se isso seria culpa da Rússia, tendo Nuland prontamente respondido que sim.


Pois bem: a Ucrânia é um dos países mais carentes da Europa, razão pela qual dificilmente poderíamos acreditar que ali encontravam-se sendo desenvolvidas pesquisas biomédicas e/ou farmacêuticas de ponta.


E o pior de tudo é saber que referidas instalações não são patrocinadas por indústrias farmacêuticas, mas por nada mais nada menos do que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.


Ligando todos esses pontos, vemos que alguma concretude há nessas notícias.


A recomendação da Organização Mundial de Saúde ao Governo Ucraniano supostamente decorrera da total inabilidade do Governo Americano, já fartamente demonstrada na retirada das tropas do Afeganistão, em proteger os patógenos que encontravam-se em referidos laboratórios, mesmo diante da iminência da invasão russa.


O fato do Departamento de Defesa dos Estados Unidos patrocinar e incentivar a instalação dos laboratórios já demostra qual seria a sua finalidade.


A confissão da subsecretária de Estado de que a Ucrânia, de fato, tem instalações de pesquisas biológicas cujos materiais de pesquisa teme-se caírem em poder russo, aliado ao fato que de referidas instalações são vinculadas ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nos dá uma pequena dimensão do problema.


Mas, o pior de tudo, é o Governo democrático, mesmo diante de tudo isso, continuar negando o inegável. O porta-voz do Pentágono, John Kirby, no dia 14 de Março, falou claramente, sobre a questão das armas biológicas na Ucrânia, narrando que


“as acusações russas são absurdas, elas são risíveis e, nas palavras do meu avô católico irlandês, muita besteira. Não há nada disso. É a clássica propaganda russa e eu não, se fosse você, eu não perderia meu tempo”.


O canal FoxNews, ao perguntar formalmente ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos sobre tais instalações, recebera como resposta:


“O Departamento de Defesa dos EUA não possui ou opera laboratórios biológicos na Ucrânia. A subsecretária Nuland estava se referindo aos laboratórios Ucranianos de diagnóstico e biodefesa durante o seu depoimento, que não são instalações de armas biológicas. Essas instituições combatem as ameaças biológicas em todo o país.”


Tucker Carlson, apresentador da FoxNews, em um dos seus programas, fez uma feliz comparação. Ele sustentou que podemos citar que o estoque de armas nucleares dos Estados Unidos são somente para defesa, pois não são projetadas para matar ninguém especificamente e/ou preventivamente. Elas são projetadas para impedir que outras pessoas os matem, mas ainda assim são armas nucleares.


Da mesma, se podemos considerar eventuais “pesquisa de patógenos perigosos usados por bioterroristas” como estudos biológicos defensivos, é fácil concluir que não perdem eles a capacidade de utilização como armas ofensivas. A forma de utilização (defensiva ou ofensiva) não transmuta a qualidade de nenhuma arma.


E, se realmente o propósito fosse somente uma ingênua pesquisa defensiva, qual a razão da grande preocupação de que tais pesquisas sejam encontradas pelas forças armadas russas ?


Ora, ao constatarmos que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, por mais que não “possua” ou “opere” laboratórios biológicos na Ucrânia, atua incisivamente em seu patrocínio na condição de parceiro, resta evidente a sua participação no que lá é ou possa ser produzido.


Ao tentar o Governo Americano sustentar que tais laboratórios não intencionam produzir armas biológicas, mas simples pesquisas de patógenos que podem ser utilizados por bioterroristas, vislumbra-se uma clara incongruência em tal discurso.


Ora, por suposições muito mais vagas os Estados Unidos envolveram-se em vários eventos de maiores proporções. Podemos, só de forma exemplificativa, citar o incidente no golfo de Tonkin, cujas investigações posteriores concluíram nunca ter de fato ocorrido, mas que serviu de pretexto para o Congresso dos Estados Unidos aprovar a entrada do país na guerra do Vietnã. Temos ainda a suspeita, posteriormente confirmada como fato inexistente, da existência de armas de destruição em massa no Iraque.


E, por falar em suposições, não nos esqueçamos do caso dos e-mails extraídos do computador do filho do presidente Joe Biden, demonstrando uma suposta influência do presidente nas relações comerciais de seu filho com a empresa de gás ucraniana Burisma. Estranhamente, tal caso não fora devidamente apurado e, ao revés, fora utilizado como arma política contra Donald Trump por supostamente ter pedido ao Presidente da Ucrânia que reabrisse a investigação.


Concitamos o leitor: use sua inteligência e ligue os pontos !


Não sabemos quais serão as consequências da guerra, e até onde pode ela chegar.


No entanto, o fato por si só já dividiu o mundo como não se via – abertamente – desde o fim da União Soviética.


Por mais que não defendamos nenhuma guerra, cujas consequências e sofrimentos primários são atribuídos mais diretamente àqueles que menos tem participação em sua eclosão, temos que entender as reais razões que levaram a sua existência.


O que não podemos, de maneira alguma, é elegermos um lado como certo, baseado exclusivamente no que a grande mídia divulga.


E é justamente por não podermos acreditar cegamente na mídia, que esperamos que, no mínimo, um governo eleito democraticamente não minta.


Da afirmação do título finalizamos com uma pergunta: o que fazer quando governos democráticos mentem ?


Rogamos que referia pergunta possa ser respondida por quem ainda tenha possibilidade de evitar as suas consequências, e não por historiadores do futuro (se é que existirão).




* Juiz de Direito. Ex-delegado de polícia e ex-advogado.

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