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  • Julio Cesar França Franco

POBREZA E RIQUEZA


Pela metade do século XX, um filme de suspense de Alfred Hitchcock fez sucesso: O homem que sabia demais. O filme popularizou uma canção interpretada por Doris Day, que gravou mais de seiscentas, ao longo de sua carreira. O refrão dizia mais ou menos assim: Que será, será. Aquilo que for, será. O futuro não é nosso para vermos. Que será, será. A preocupação sobre as futuras facilidades ou dificuldades a enfrentarmos na vida, sempre nos inquietou. Desde pequenos, os filhos ouvem de seus pais: Trate de estudar se não quiser ter um emprego ruim. Como se a felicidade estivesse totalmente presa a um bom emprego, à posse de dinheiro e bens materiais. Observamos na atualidade uma realidade que jamais se cogitou em tempos idos. Pessoas diplomadas, que se sentem infelizes, deixam cargos e posição social para viver modestamente, mas de forma gratificante. Outras, que sempre viveram nas grandes cidades, transferem residência para cidades menores ou para o campo, em busca de vida simples e saudável para si e seus familiares. Alguns penduram seus diplomas ou abandonam carreiras de destaque, dedicando-se a trabalhos filantrópicos, desejando se sentirem realmente úteis. Quantos desses se realizam junto à natureza, plantando e colhendo o seu sustento e o da família. * * * Cultivar a paz interior, o prazer pela vida, o amor pela natureza, a tranquilidade familiar, espalhando essa riqueza ao redor, pode nos proporcionar aquilo que intimamente almejamos. Pobreza e riqueza, em síntese, são valiosos convites para o crescimento pessoal. Em ambas as situações, poderemos alcançar o real objetivo de nossa caminhada na Terra. Na pobreza, temos a sagrada oportunidade de aprender a servir, de exercitar a paciência e a resignação. Na riqueza, temos a oportunidade de vivenciar a caridade e a abnegação. Saberemos que estamos enfrentando devidamente a pobreza quando nos adequamos à simplicidade de vida e aceitamos as renúncias que necessitamos realizar. Da mesma forma, frente à riqueza, importante é a sensatez no uso de bens e facilidades a que temos acesso. Todos fomos ou seremos defrontados por uma ou outra situação, ao longo das nossas vidas, a testar nossas capacidades de administradores de nós mesmos. Tanto a carência como a fortuna nos desafiam ao crescimento e ao esforço de sublimação. Uma e outra são oportunidades que nos são oferecidas, para que aprendamos a gerenciar nossa condição de pobreza material, enriquecendo-nos de bênçãos espirituais. Ou, sendo ricos materialmente, guardemos a sabedoria de olhar ao nosso redor, notar os menos felizes e utilizarmos nosso tempo e nossos bens em seu benefício. Perceberemos que adquirindo compreensão e conhecimento, cultivando luz e paz, independentes da pobreza ou riqueza, seremos criaturas valiosas e felizes. Conhecer as Leis Divinas, tê-las como nosso roteiro, nos permitirá direcionar os passos no sentido do bem maior, nos fará verdadeiros pobres de insensatez e autênticos ricos de solidariedade e amor."

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