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  • Julio Cesar França Franco

Lembrai-vos da Guerra Exército Brasileiro



Imensa formação de brancas cruzes, Desfile mortuário de fantasmas, Exótico mercado de miasmas, Exposição de ossadas e de urzes…

Calado e mudo queda-se o canhão, Apenas trevas cobrem a amplidão, Que outrora foi um campo batalha… Calada e muda queda-se a metralha, É morta na garganta a voz do obus, O sabre traiçoeiro não reluz Dilacerando, ensangüentado a terra… A paz voltou, é terminada a guerra.

Os heróis tombaram das alturas, Os covardes e os bravos olvidados, Seus feitos aos livros relegados, Nada mais resta, apenas sepulturas.

E eu? Quem sou? Perguntam eu quem sou? Pois bem, eu lhes direi: sou um soldado, Igual a qualquer outro que avançou, combateu, foi derrubado.

Cruzes iguais… Terrivelmente iguais… Exército que cresce mais e mais, No festim diabólico da morte. Aqui jaz o covarde. Ali o forte. Aqui dorme um estranho. Ali estou eu… Mas ninguém sabe como ele morreu… Não se lembram do campo de batalha, Nunca ouviram o riso da metralha… Não sentiram tremer o corpo inteiro Ante o rugido brutal de um morteiro… Não viram a cor dos olhos do inimigo. Não sentiram o medo do perigo, Que vos faz desejar a morte breve. Nunca sonharam. Nunca, nem de leve.

Mas…

Nem todos se esqueceram do soldado Que está longe, bem longe sepultado…

Mamãe, minha boa mãe, se tu soubesses Que tua imagem adornei com flores, Que tuas flores foram minhas preces, Preces colhidas no jardim das dores…

Minha querida mãe, se te contasse O medo que senti sem teu carinho, Um medo horrível de morrer sozinho. Medo mesmo que o medo me matasse… Mas deixei meu abrigo e avancei Julgando ver a morte a cada passo Ao ouvir o sibilar de um estilhaço… Parei… Pensei em ti… Continuei…

Minha querida mãe se te dissesse Que quando derrubou-me uma granada Atirando-me na terra enlameada, Foi por ti que chamei desesperado. Por um momento deixei de ser soldado E fui novamente uma criança Sentindo na morte a esperança De ainda adormecer no teu regaço. Mamãe. Matou-me um estilhaço…

Minha querida noiva, por que choras? Relembras por certo as boas horas Que passamos juntos. Só nós dois… Íamos casar. Lembra-te ? E depois… E depois uma casa retirada. Cortinas nas janelas enfeitadas, Tu me esperando… eu vindo do quartel… A nossa casa um pequenino céu, Aberto a vinda de um herdeiro…

Meu sonho, meu sonho derradeiro, Foi de beijar-te antes de morrer. Mas ao golpe frio da granada, Beijei apenas a terra ensangüentada.

Mamãe, minha noiva, aqui se encerra Uma história de sangue, esta é a guerra. Não chorem. Tudo é terminado Rápido como coisa de soldado…

Mas mamãe…

Se novamente a pobre humanidade Mais uma vez em busca da verdade Rufar seus tambores sobre a Terra Anunciando mais sangue e outra guerra, Se outro filho a Pátria te exigir, Sem lágrimas mamãe, deixe-o ir… Embora te destrua o coração, Ainda que te alquebre a agonia Faça-me um favor mamãe, Peça a esse irmão, Para que seja também da INFANTARIA !

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