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  • Julio Cesar França Franco

Julgamento prematuro


"

Eram dois vizinhos. Um deles comprou um coelho para os filhos. Os filhos do outro vizinho também quiseram um animal de estimação. O homem comprou um filhote de pastor alemão. Conversa entre os dois vizinhos: – Ele vai comer o meu coelho! – De jeito nenhum. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos, "pegar" amizade... E, parece que o dono do cão tinha razão. Juntos cresceram e se tornaram amigos. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças felizes com os dois animais. Eis que o dono do coelho foi viajar com a família e o coelho ficou sozinho. No domingo à tarde, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche quando, de repente, entra o pastor alemão com o coelho entre os dentes, imundo, sujo de terra, morto. Quase mataram o cachorro de tanto agredi-lo! Dizia o homem: – O vizinho estava certo. E agora? Só podia dar nisso! Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. O que fazer?! Todos se olhavam. O cachorro, coitado, chorando lá fora, lambendo os seus ferimentos. – Já pensaram como vão ficar as crianças? Não se sabe exatamente quem teve a ideia, mas parecia infalível: – Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, depois a gente seca com o secador e o colocamos na sua casinha. E assim fizeram. Até perfume colocaram no animalzinho. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. Logo depois ouvem os vizinhos chegarem. Notam os gritos das crianças. – Descobriram! Não passaram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma. – O que foi? Que cara é essa? – O coelho, o coelho... – O que tem o coelho? – Morreu! – Morreu? Ainda hoje à tarde parecia tão bem. – Morreu na sexta-feira! – Na sexta? – Foi. Antes de viajarmos as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora reapareceu! A história termina aqui. O que aconteceu depois não importa. Mas o grande personagem desta história é o cachorro. Imagine o coitado, desde sexta-feira procurando em vão pelo seu amigo de infância. Depois de muito farejar, descobre o corpo morto e enterrado. O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o amigo e vai mostrar para seus donos, imaginando fazer ressuscitá-lo. E o ser humano continua julgando os outros... Outra lição que podemos tirar desta história é que o homem tem a tendência de julgar os fatos sem antes verificar o que realmente aconteceu. Quantas vezes tiramos conclusões erradas das situações e nos achamos donos da verdade?"

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