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  • Julio Cesar França Franco

As flores encomendadas



"Um grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia. - Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela? Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro. - Nestes últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana. - Para as flores, lembrou o vigia. - Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho. - Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então quis vir até aqui para uma última visita e para lhe agradecer. O funcionário teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza: - Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores. - Como assim? Perguntou a senhora. - É que... A senhora sabe... As flores duram tão pouco tempo, e afinal, aqui, ninguém as vê... - O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora. - Sei, sim minha senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos. Lá, sim, é que as flores fazem muita falta. Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume. A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez um sinal ao chofer para que partissem. Apenas alguns meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro. - Agora eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável. O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e faz com que eu me sinta feliz. Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei: é que eu reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças. Esta senhora descobrira o que quase todos não ignoramos, mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, conseguimos auxiliar a nós mesmos."

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